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terça-feira, 16 de setembro de 2008

Bolívia

Que o sangue quente latino foi deixado na América Latina com a exploração dos europeus, de nossas riquezas, iniciada no século XV isso todos sabemos. O sangue quente dos latino-americanos não está ligado apenas aos prazeres da vida (paixão, sexo ou amor). A América Latina sempre foi palco de conflitos internos ou externos ao longo de sua exploração e processo de independência, não seria diferente agora após a “independência”. É óbvio que o “sangue quente” não tem nada haver com isso, o que tem haver é o egoísmo do homem com o conseqüente jogo de interesses.
Grandes conflitos externos já aconteceram, os internos deixaram marcas tão profundas quanto os externos. Os motivos, interno ou externo, sempre estão ligados a interesses financeiros, o Panamá antiga região colombiana conquistou a independência com o apoio americano, um dos motivos a abertura do canal. Paraguai, o atraso do Cone Sul, é fruto de uma guerra desumana financiada pelos ingleses e realizada pelo Brasil, Uruguai e Argentina.
A crise na Bolívia de 2008 chama atenção do mundo e principalmente do Brasil, Argentina, Venezuela e USA. O Brasil possui na Bolívia uma carga gigantesca de investimentos da PETROBRAS, além de cidadãos brasileiros que foram ser latifundiários lá, já que aqui não temos terra suficiente, e estudantes principalmente de medicina que foram em busca de um sonho longe de ser conquistado no Brasil com seu sistema universitário excludente. Os investimentos de países de risco como a Bolívia são bem pensados pelas grandes potências capitalistas, o governo FHC (Fernando Henrique Cardoso) acompanhou os investimentos espanhóis e ingleses na Bolívia e colocou a PETROBRAS no país visando o fortalecimento da relação com o vizinho, o faturamento por este possuir as maiores reservas de gás na região e o abastecimento do centro-sul do país. O governo Lula não fez diferente ampliou os investimentos no vizinho e subiu no carro do antigo candidato, então presidente Evo Moralez, em campanha presidencial. Ambos preferiram investir nas reservas bolivianas ao invés de investir nas reservas alagoanas de gás, hoje a crise da Bolívia abala o abastecimento de gás no Brasil e o presidente sempre prometeu a estatização do setor, promessa que causou uma crise quando a PETROBRAS foi invadida pelo exército boliviano.
A cambaleante Argentina, não passa bem com profundas crises sociais, políticas e econômicas a crise boliviana piora sua situação, sendo a Argentina mais uma dependente do gás “made in Bolívia”. O “presidente das cavernas” Hugo Chavez, tem na Bolívia um apoio forte na sua luta anti-americana e na expansão do oleoduto que vai abastecer a Argentina, sempre fala e da palpite como se o que ele falasse tivesse alguma importância. Com discursos longos e pinta de ditador populista Hugo Chavez, gosta de chamar a atenção não passa de um urubu que tenta ser pavão. Os Estados Unidos que já teve a região dominada vê a sua influencia diminuir.
O principal problema da crise boliviana deve-se a nova constituição que obriga os departamentos (estados) produtores de petróleo e gás a dividir os royalties com os outros departamentos não produtores, a crise se estabeleceu entre os ricos produtores e os pobres improdutivos. A estratégia de Evo Moralez é usar os royalties para diminuir a pobreza no país, semelhante a Chávez. O grande problema de Moralez está nessa tentativa, Chávez aumentou a desigualdade e destruiu a classe media venezuelana. Com políticas públicas mal elaboradas e muito dinheiro do petróleo.
O gás na Bolívia, o petróleo na Venezuela e no Brasil é do povo e para o povo, nada mais justo que os lucros fossem repartidos para todos, produtores e não produtores. No entanto o que se espera é responsabilidade nas finanças e projetos que não tenha o intuito de politicagem e sim de diminuir a desigualdade. Hugo Chávez é o reflexo de mau administrador e seus projetos populistas só trouxeram problemas. O presidente Lula saiu em apoio de Evo Moralez, será que o presidente também tomará a iniciativa de dividir os royalties das bacias petrolíferas de estados como Rio de Janeiro, São Paulo e Espírito Santo com outras unidades da federação? Por enquanto aqui continua como antes. Será que o presidente vai fazer o mesmo? Conhecendo a política devemos permanecer com dois pesos e duas medidas.

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