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domingo, 17 de agosto de 2008

O mundo come, nós passamos fome.

O ano de 2008 não acabou, mas uma polêmica antiga certamente não encerrará junto com o ano, assim como não encerrou anos atrás. As notícias sobre a crise de abastecimento de alimentos saíram das manchetes dos jornais para dar espaço à cobertura olímpica.
A crise mundial de alimentos que está mais ligada à má distribuição destes, do que a real impossibilidade de produção em massa. Ganhou nos últimos tempos um agravante chamado biocombustível.
A crise do petróleo em 1973 abalou a economia mundial e levou o mundo a pensar em novas fontes de energia. No Brasil teve início dois anos depois, 1975, o Proálcool. O programa que buscava substituir o petróleo por novas fontes de energia, era totalmente subsidiado pelo governo, sendo oneroso aos cofres públicos além de favorecer a concentração de terra nas mãos dos usineiros. Em 1989 o governo realizou fortes cortes nos subsídios levando o setor a crise e a importação do produto europeu.
Os benefícios trazidos pelo álcool não cobriam os problemas trazidos para o campo, as péssimas condições de trabalho, a dependência dos pequenos produtores dos usineiros, a concentração de terras e o fim de outras culturas agrícolas que serviam para a subsistência, foram males em sua maioria irreversíveis.
A crise mundial de alimentação certamente não está apenas ligada a má distribuição de alimento ou ao programa americano de biocombustivel que utiliza o milho como fonte produtora. O governo e a mídia brasileira defendem o biocombustivel como um produto que não atrapalha a produção de alimentos. Nos últimos dez anos, a produção canavieira no Brasil cresceu significativamente, passando de 90 milhões de toneladas em 1975 para mais de 400 milhões em 2006. Mesmo com todas as inovações tecnológicas este aumento na produção seria impossível sem avançar sobre outras culturas. No Brasil além da cana, a soja muda as paisagens.
Com uma política agrária organizada para alimentar o mundo e não parar de se locomover sobre as “quatro rodas” o futuro dos brasileiros não é incerto é sim, desolador. Alagoas é o reflexo de um Brasil que vive da cana. Centrais de abastecimentos lotadas, com produtos de Pernambuco, Sergipe, Bahia e Paraíba.

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