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quarta-feira, 8 de abril de 2009

A Lei do favorecimento

Que no sistema ao qual vivemos a coisa mais comum é o favorecimento de alguns em detrimento de uma maioria é um fato que todos nós já estamos cansados de saber. No entanto, a cada dia que se passa as coisas estão sendo realizadas com o maior cinismo.
A última foi à mudança do sistema do vestibular, realizado pelo Ministério da Educação (MEC), que exclui o processo de vestibular e passa a utilizar a prova do ENEM como base ingresso nas Universidades Federais. O projeto do Ministério da Educação prevê que o aluno inscrito para realizar o vestibular (ENEM) poderá se inscrever para cinco cursos em qualquer Universidade Federal do país, e realizará a prova em sua cidade, caso aprovado longe de casa o aluno receberá uma ajuda de custo para manter-se. Segundo a Agência Estado, as linhas do MEC são semelhantes a dos Estados Unidos.
A iniciativa do MEC, que parece ser um meio de organizar o Ensino Médio e de propiciar maiores chances de ingresso nas Universidades Federais é tão falsa quanto à fidelidade política. Os defensores do projeto afirmam que a unificação dos vestibulares vai nortear os currículos educacionais do ensino médio, todavia os defensores não observam que ao possibilitar que alunos do Centro-Sul do país concorram com alunos do Norte e Nordeste poderá causar o fim da regionalização das universidades, diminuir o acesso de estudantes do estado em sua Universidade Local e decretar a falência de estudos voltados para região, por exemplo, a unificação da prova fará com que questões sobre história e geografia local não sejam utilizadas ao mesmo tempo que o estudo dessas particularidades regionais caiam no esquecimento.
O problema não está no uso do ENEM como meio para unificar o vestibular e ao mesmo tempo nortear os currículos educacionais, o problema é que os estudantes de regiões com um sistema educacional desorganizado para não dizer em ruínas, observaram as poucas ou únicas chances de ingressar no ensino superior escaparem para estudantes de outros estados melhores preparados, para não dizer da ausência de mão de obra local, pois para os estudantes de fora o lema é simples “formado estou para casa vou”, e a mão de obra local continua escassa. A concorrência está mais desigual do que antes e maior, além do mais que a unificação vem para fortalecer a idéia de uma República Federativa mais centralizadora tentando apagar dos currículos escolares disciplinas como história e geografia local que enfatizam a liberdade e o crescimento regional em detrimento do nacional, estamos sendo mais uma vez passados para trás por uma elite centralizadora que domina o país desde sua invasão em 1500. O homem do povo continua a governar para poucos.

Um comentário:

Anônimo disse...

"Isso é uma vergonha"