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quinta-feira, 6 de novembro de 2008

Obama 50% de um sonho...



Eu tenho um sonho de que minhas quatro pequenas crianças vão um dia viver em uma nação onde elas não seram julgadas pela cor da pele, mas pelo conteúdo de seu caráter.

Pr. Martin Luther King Jr (MLK)
O fragmento acima fora extraído do discurso do pastor Batista, Marin Luther King Jr., realizado em 28 de agosto de 1963, em frente à estátua de Abraham Lincoln, o discurso ali proferido foi um marco da luta norte-americana pelos direitos civis. Pr. Martin Luther King foi o principal líder durante as décadas de 1950 e 1960, por tais direitos. É sabido por todos que a conquista de direito por meios legais, nunca significou a realidade do dia-a-dia de nenhum povo. E este lamentável fato, não seria diferente na história estadunidense. A abolição da escravatura estabelecida pelo presidente Abraham Lincoln no ano de 1865, foi o início de um sonho para os descendentes dos mais de 500 mil negros trazidos da África as Colonias Inglesas na América do Norte.
Assim como todas as colonias européias na América, a norte-americana, durante os séculos XVI e XVII, recebeu um grande número de negros, um pouco mais de 500 mil, levados para as colonias do sul. Onde suas economias baseavam-se na monocultura, trabalho escravo, latifundio e a exportação da produção, sistema econômico igual ao realizado nas colonias Ibero-americanas, inclusive o Brasil. Já as colonias do norte, por possuírem um clima semehante ao Europeu, não conseguiriam produzir algo diferente do já encontrado na Europa, levando sua economia a sobreviver por outros meios. A consequência de tais acontecimentos leva as colonias nortistas a desenvolverem uma economia mais sólida e as sulistas a viverem na dependência da monocultura voltada para a exportação, o trabalho escravo e o latifundio, o plantation, tal sistema econômico só é lucrativo devido a força de trabalho escrava.
A abolição da escravatura por Abraham Lincoln, em 1865, não concede aos negros os mesmo direitos que os brancos, marcando apenas o inicio das humilhações sofridas pelos negros, neste momento em estado de “liberdade”. Apesar do fim da escravatura os negros estavam longe de ser detentores dos mesmos direitos do brancos. A segregação racial e a discriminação eram muito presentes no cotidiano da sociedade norte-americana e principalmente em estados sulistas. O início do movimento de luta pelos direitos civis tem como marco a costureira negra, Rosa Parks, que cansada após um dia de trabalho, sentou-se nos primeiros bancos de um coletivo. A lei determinava que os primeiros acentos nos ônibus eram de exclusividade para os brancos e que em caso de ônibus cheio os negros sentados dariam lugar para que os brancos que estivessem em pé, sentassem. No entanto em 1955, Rosa Parks recusou-se a ceder o acento a um homem branco, foi intimida, presa e condenada. Tal fato deu início a manifestações populares, contrárias as leis que desmereciam os afro-americanos.
O principal expoente desta luta, pr Martin Luther King Jr., mais uma vítima da luta pelos direitos civis, formou-se em sociologia, foi bacharel em teologia e PhD em teologia sistemática, recebeu o prêmio Nobel da Paz, devido a sua campanha de não agressão durante as manifestações pelos direitos civis. Pr MLK, construiu sua vida no Alabama e foi pastor da Igreja Batista, em Montgomery. Sua formação acadêmica foi na melhor universidade de negros dos Estados Unidos, a Morehouse College, onde teve como mentor Benjamin Mays, outro importante ativista pelos direitos civis.
O recem eleito presidente norte-americano, Barack Obama, é filho de um queniano com uma americana. Apesar da mídia brasileira e mundial tentar ligar a subida ao poder de Barack Obama como a realização do sonho de Pr MLK, Obama está ainda muito distante do negro americano marginalisado, mesmo com sua origem paterna pobre. A avó materna recem falecida deixou claro que “ele é tão branco ou mais que eu”, é claro que Obama conheci os problemas dos afro-americanos e das minorias, mas viveu parte de sua vida no Havaí e na Indonésia, se formou em Direito na Universidade de Harvard, universidade elitista e branca, dizem ser ele um sonho realizado, mas suas referências são de um branco pintado de negro. A revelia de tudo ve-se nessa sociedade tão preconceituosa avanços como este, um presidente eleito não “pela cor da pele, mas pelo conteúdo de seu caráter.” Certamente a cor da pele não será o divisor de águas para o fim da crise americana e Obama não é ainda, o negro americano tão sonhado para ocupar o poder.

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